TEOLOGIA NEGRA?




Olá queridos,
Quando falamos em teologia a verdade primária que nos vem à mente é que a mesma não vem pronta, se não vem pronta (é evidente que carece de ser feita). Portanto teologia é feita no cotidiano, nas experiências diárias. Como tão bem expressou o arcebispo Desmond Tutu “jamais existira uma teologia final, última, pois a teologia muda de acordo com a mudança nos ingredientes de sua mistura – as experiências de vida de uma comunidade particular, a compreensão que ela tem de si mesma, suas maneiras e formas de expressão”.  Faz-se, portanto, importante o exercício de levar a sério as particularidades e fenômenos que estão atrelados à teologia, jamais devemos esquecer que teologia é contextual e existencial.
Certa fez alguém me perguntou: e teologia por acaso tem cor? De prontos respondi, se ela esta atrelada a realidade e contexto de quem a faz, logo tem sim. Pois carrega no seu bojo a realidade de quem a produz. O próprio Deus fala conosco valorizando nossa realidade, nossas experiências, nosso contexto – Já parou pra pensar porque o senhor usou a “figura” de uma pomba para chamar atenção de João o “Batista” a perceber a realidade espiritual (embora invisível), que ação de batizar ao Senhor Jesus desencadeou? Foi justamente essa razão, a teologia de João não poderia se afastar da sua realidade diária, logo o senhor se manifesta dentro da realidade dele (João). Resumindo, Deus não deixou ou permitiu que João saísse de sua realidade, ou abandonasse suas experiências, seu contexto social pra desfrutar dessa teofania. Portanto se existe a “teologia anglo – saxônica”, “teologia filosófica”, “teologia da libertação” e até “teologia da prosperidade”; porque não haveria de existir a “TEOLOGIA NEGRA”?  Entendo que Deus fala com homem do jeito que ele é, a sua teologia deve ser filtrada por quem ele é. Já imaginou se o índio tivesse que deixar de ser índio para poder ser tocado por Deus, o cigano ter que negar sua origem, pra poder ter o direito de desfrutar do amor de Deus; ou eu ter que deixar de ser negro pra poder pertencer ao senhor? Seria desumano, sim; Deus me arrancar de minhas origens pra poder se manifestar a mim. Negar minha historia, minha descendência; minha cultura; ate mesmo minha natureza em nome de uma pretensa vida com Deus. É anti bíblico ( não adiante pensar na frase “negar a si mesmo”) Deus jamais pensou em nos transformar em anjo ou máquina, ele próprio sabe que somos pó e cinza. Quando nos convidou a negar a si mesmo, se refere a compromisso de seguir, de reproduzir  o mesmo sentimento de fazer a vontade de Deus.  Quando falo de teologia negra falo de uma teologia engajada, encharcada da realidade da comunidade que a faz, no caso me refiro a comunidade negra. Precisamos fala em teologia negra, principalmente por conta do contexto social racista e segrega tório que estamos inseridos.  Teologia negra sim, ate porque a bíblia nunca escondeu historicamente, a contribuição da comunidade negra desde dos tempos mais remotos (bíblicos). Existem negros na bíblia? Sim, existem apesar da pouca ênfase que se dar a presença negra nos relatos bíblicos. Um exemplo, de um personagem negro (usada por algumas linhas de estudos) é SULAMITA, a predileta do coração de Salomão, a sua musa inspiradora dos poemas de amor contidos em cantares. Todos dedicados a essa NEGRA. “Estou escura, mas sou bela, ó mulheres de Jerusalém; escura como as tendas de Quedar, bela como as cortinas de Salomão” (cantares1: 5).  A esposa de negra de Moisés, outro exemplo. A Bíblia descreve a atuação de negros em outras passagens e livros. Quando Jeremias, por causa de uma profecia, foi lançado no calabouço de Malquias, foi um etíope chamado Ebede-Meleque, que intercedeu por ele junto ao rei Zedequias. Apesar de parecer revestido de discriminação por conta da raça, o episódio que envolveu Moisés e uma mulher cuxita (etíope) também registra a história do negro nas Escrituras Sagradas, mas segundo os teólogos, o preconceito foi mais em função do politeísmo da cuxita (culto a vários deuses) do que propriamente por causa da origem racial da esposa do profeta. No capítulo 12 do livro de Números, Miriã e Arão, falaram contra Moisés "por causa da mulher cuxita que tomara". “Mas a crítica foi em função da permissividade de Moisés com relação à religião da mulher cuxíta, ou seja, por esta não ter origem judaica” — afirma o pastor Amaury Jardim. Portanto apesar de muitos, até mesmo afrodescendentes verem a igreja como europeia, uma análise mais profunda e atenta a historia sagrada poderá perceber que a igreja sempre foi multirracial; e que a bíblia começou a ser escrita na ÁFRICA.  O cenário de ação divino ia do Nilo ao Eufrates. Sabemos que Israel é tão africana quanto semita, embora a África tenha sido separada do hoje conhecido Oriente médio, tão separação não apagou os rastros históricos e culturais desse fato. Teologia negra, teologia engajada com valores particulares do povo negro. Feliz dia da consciência negra!
- Francimário Santos

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