A democracia está horrível, mas deixa ela aí...


Hoje, ninguém seria capaz de apostar em que circunstâncias se darão as eleições do próximo ano no Brasil, havendo até quem lance dúvida sobre o fato de que elas venham mesmo a ocorrer. Batamos na madeira para isolar, essa é a possibilidade que ninguém quer. E que, a rigor, não existe. Por pior que esteja a democracia brasileira – e está muito mal – é melhor do que um regime autoritário, uma ditadura, que faria o país regredir décadas e perder qualquer respeito no concerto das nações, com reflexos econômicos diretos e imediatos.


Um general aí - até importante, mas cujo nome não daremos a ousadia de repetir - andou defendendo uma intervenção militar no Brasil. Trata-se de uma idiotice sem tamanho, que nada poderá trazer de útil ao país. Os militares têm a sua função profissional de defesa das fronteiras e da ordem institucional, que vêm cumprindo a contento e com seriedade.

Não é função militar punir a corrupção dos políticos. Essa é uma função da justiça e da própria sociedade, através do voto e das ferramentas legais de que dispõe para isso. Portanto, que se acautele o pequeno bando de arautos civis de uma ditadura militar, assim como os raros militares que estão entrando nessa onda. É muito difícil ir adiante essa baboseira de setores da extrema direita que escolheram como ícone o coronel Brilhante Ustra, um dos maiores torturadores da história do Brasil. Deixemos os militares na caserna, que lá é o lugar deles.

No próximo ano, queiram ou não alguns, vai haver eleição. Pode até não haver candidatos que prestem, seja para deputado, senador, governador, presidente, mas eleição haverá. O povo – este mesmo povo brasileiro, deseducado, sofrido, desprezado – é que vai exercer seu direito ao voto e definir qual a cambada que vai colocar no poder. O sonho dourado dos que hoje aí estão se lambuzando no azeite é que a corrupção continue grassando aos quatro cantos e que os eleitores, pobres e ignorantes, continuem a escolher os mesmos, gente da mesma laia, ladrões do mesmo calibre.

É até provável que assim seja, tudo está sendo encaminhado para isso, principalmente o que estão chamando de reforma política - que, como por arte de um Lampedusa dos pobres, tem a intenção de mudar o mínimo para que tudo continue como está.


De qualquer forma – tremei, sepulcros caiados!!! – teremos eleição. E, tendo eleição, ainda há um mínimo de esperança.


Fonte: www.opiniaoepolitica.com.br

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